15 setembro 2025

Respostas!Ilhéus: DNA de acusado não é encontrado nos corpos de mulheres assassinadas na Praia dos Milionários

Um mês após o assassinato brutal de três mulheres na Praia dos Milionários, em Ilhéus, o caso continua cercado de mistérios e contradições. Embora a polícia tenha apresentado um autor confesso, o DNA de Thierry Lima da Silva, de 23 anos, não foi encontrado nos corpos das vítimas nem nas três facas analisadas como prováveis armas do crime. A ausência de provas materiais reforça as dúvidas sobre a investigação.

As amostras foram examinadas no Departamento de Polícia Técnica (DPT), em Salvador. Após laudos iniciais descartarem violência sexual e a presença de material genético de quatro pessoas, novos exames realizados depois da prisão de Thierry também não identificaram vestígios dele. O resultado foi igualmente negativo para as digitais dos acusados nas facas apresentadas pela Polícia Civil. Para peritos ouvidos pelo CORREIO, em crimes com arma branca é comum que o autor deixe sangue misturado ou sofra cortes, o que não foi identificado neste caso.

As vítimas eram Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41, e Mariana Bastos da Silva, de 20. Alexsandra e Maria Helena eram professoras da rede municipal, vizinhas e amigas. Mariana, filha de Maria Helena, cursava Engenharia Ambiental. Elas caminhavam com um cachorro quando foram atacadas e encontradas mortas em 15 de agosto. O animal foi localizado amarrado a uma árvore, próximo aos corpos.

A versão oficial apresentada pela Polícia Civil é de que Thierry teria agido sozinho em uma tentativa de assalto. Ele confessou o triplo homicídio em audiência de custódia, alegando que roubou R$ 30 das vítimas. Contudo, especialistas consideram a hipótese pouco plausível. Segundo eles, seria improvável que apenas um homem, armado com uma faca, conseguisse dominar três mulheres sem deixar sinais de luta ou ferimentos em si mesmo. Além disso, não foram encontrados indícios de subtração de bens de valor, o que enfraquece a tese de latrocínio.

Outro ponto questionado é a validade da confissão como principal prova. Thierry é dependente químico e, segundo peritos, declarações obtidas em tais condições podem não ser confiáveis, especialmente diante da ausência de evidências físicas. Pelo Código de Processo Penal, a confissão isolada não é suficiente para sustentar a acusação.

Familiares das vítimas afirmam que ainda não conseguem acreditar na versão apresentada. Um parente de Alexsandra disse que todos seguem arrasados e sem respostas. “Todos os dias a gente se pergunta o porquê de tanta crueldade, porque elas não tinham motivo algum. Eram evangélicas, professoras, cuidavam de autistas. Tudo ainda é um mistério”, afirmou.

Em nota, a Polícia Civil declarou que aguarda a conclusão de todos os laudos periciais e que outras pessoas também estão sendo investigadas, sem revelar detalhes para não comprometer as apurações. Enquanto isso, a cidade de Ilhéus continua em choque, aguardando respostas para um dos crimes mais bárbaros de sua história recente

(Sandro Sertão)

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